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sábado, 24 de março de 2007

Carta Escrita em 2070

Meus amigos, porque hoje é Sábado…. Apetece lembrar e relevar quão importantes, a vida, a terra, a esperança… lembrar não só os dias internacionais, mas também todas as noites internacionais que possamos e queiramos sempre imaginar. E porque a Primavera chegou, e com ela a esperança e a vida se redobram porque toda a terra floresce… há o renascimento da vida, e com isso toda a natureza desabrocha, quero deixar-vos algo interessante, de uma imaginação acima da média, capaz de nos obrigar a pensar no futuro que se aproxima a passos largos.
Porque é Primavera, e desejo que seja uma das muitas maravilhosas primaveras de vida, que ainda possamos vir a ter, mas de uma vida digna de qualidade muito superior, à que esta carta para 2070 nos indica.
Na primavera há o renascimento da vida, e com isso toda a Natureza desabrocha. Aproveitemos todos pois, esta Boa Ficção, para nos lembrarmos de nós, da nossa vida, do mundo que nos rodeia, do que devemos e não devemos fazer, para melhorar e fortalecer os alicerces que o sustentam. Bom fim-de-semana amigos, navegantes, deste mar nunca antes navegado, desta Terra, e, deste Sol que teima em brilhar.

Carta escrita em 2070:


Estamos no ano de 2070, acabo de completar os 50, mas a minha aparência é de alguém de 85. Tenho sérios problemas renais porque bebo muito pouca água. Creio que me resta pouco tempo. Hoje sou uma das pessoas mais idosas nesta sociedade. Recordo quando tinha 5 anos. Tudo era muito diferente.

Havia muitas árvores nos parques, as casas tinham bonitos jardins e eu podia desfrutar de um banho de chuveiro com cerca de uma hora. Agora usamos toalhas em azeite mineral para limpar a pele.
Antes todas as mulheres mostravam a sua formosa cabeleira. Agora devemos rapar a cabeça para a manter limpa sem água.

Antes o meu pai lavava o carro com a água que saía de uma mangueira. Hoje os meninos não acreditam que a agua se utilizava dessa forma. Recordo que havia muitos anúncios que diziam CUIDA DA AGUA, só que ninguém lhes ligava; pensávamos que a agua jamais se podia terminar.

Agora, todos os rios, barragens, lagoas e mantos aquíferos estão irreversivelmente contaminados ou esgotados. Antes a quantidade de água indicada como ideal para beber era oito copos por dia por pessoa adulta. Hoje só posso beber meio copo.

A roupa é descartável, o que aumenta grandemente a quantidade de lixo; tivemos que voltar a usar os poços sépticos (fossas) como no século passado porque as redes de esgotos não se usam por falta de água.

A aparência da população é horrorosa; corpos desfalecidos, enrugados pela desidratação, cheios de chagas na pele pelos raios ultravioletas que já não têm a capa de ozono que os filtrava na atmosfera.
Imensos desertos constituem a paisagem que nos rodeia por todos os lados.

As infecções gastrointestinais, enfermidades da pele e das vias urinárias são as principais causas de morte. A indústria está paralisada e o desemprego é dramático. As fábricas são a principal fonte de emprego e pagam-te com água potável em vez de salário. Os assaltos por um bidão de água são comuns nas ruas desertas.

A comida é 80% sintética. Pelo ressequido da pele uma jovem de 20 anos está como se tivesse 40. Os cientistas investigam, mas não há solução possível. Não se pode fabricar agua, o oxigénio também está degradado por falta de árvores o que diminuiu o coeficiente intelectual das novas gerações.

Alterou-se a morfologia dos espermatozóides de muitos indivíduos, como consequência há muitos meninos com insuficiências, mutações e deformações. O governo até nos cobra pelo ar que respiramos. 137 m3 por dia por habitante e adulto.

A gente que não pode pagar é retirada das "zonas ventiladas", que estão dotadas de gigantescos pulmões mecânicos que funcionam com energia solar, não são de boa qualidade mas pode-se respirar, a idade média é de 35 anos.

Em alguns países ficaram manchas de vegetação com o seu respectivo rio que é fortemente vigiado pelo exército, a água tornou-se um tesouro muito cobiçado mais do que o ouro ou os diamantes.

Aqui em troca, não há arvores porque quase nunca chove, e quando chega a registar-se precipitação, é de chuva ácida; as estações do ano têm sido severamente transformadas pelas provas atómicas e da indústria contaminante do século XX. Advertia-se que havia que cuidar e tratar o meio ambiente e ninguém fez caso.

Quando a minha filha me pede que lhe fale de quando era jovem descrevo o bonito que eram os bosques, lhe falo da chuva, das flores, do agradável que era tomar banho e poder pescar nos rios e barragens, beber toda a agua que quisesse, o quão saudáveis que eram as gentes.

Ela pergunta-me: Papá! Porque se acabou a agua?
Então, sinto um nó na garganta; não posso deixar de sentir-me culpado, porque pertenço à geração que terminou destruindo o meio ambiente ou simplesmente não tomámos em conta tantos avisos.

Agora os nossos filhos pagam um preço alto e sinceramente creio que a vida na terra já não será possível dentro de muito pouco, porque a destruição do meio ambiente chegou a um ponto irreversível.

Como gostaria voltar atrás e fazer com que toda a humanidade compreendesse isto quando ainda podíamos fazer algo para salvar o nosso planeta TERRA!"

3 comentários:

Jofre Alves disse...

Andei ausente devido a muitos afazeres, pois tive que preparar e pronunciar uma palestra e estruturar e fazer uma exposição de fotografias antigas, o que me consumiu muito tempo e impediu de visitar os amigos.

Volto às lides e às visitas, com apreço e estima, e neste caso particular com total satisfação a grande prazer em percorrer esta excelente página. Boa semana.

Jofre Alves disse...

Quis comentar no outro blogue mas está programado para aceitar somente comentários do Blogger.

turbolenta disse...

A ÁGUA é fonte de vida.
É uma das minhas preocupações poupá-la e por isso , há muito que mantenho uma guerra aberta com o meu filho , para quem é preciso um rio de água quente(de depenar frangos) para ele tomar banho.
bjs
boa semana